
Quando Lula e Jaques Wagner promoviam a baderna na Bahia.
Em julho de 2001, houve uma greve da Polícia Militar na Bahia,
então governada pelo PFL. Eu dirigia o site e a revista Primeira
Leitura. Critiquei severamente o movimento dos policiais nos termos de
sempre nesses casos: “Gente armada não pode parar; quando um policial
deixa de trabalhar, o bandido agradece, e o homem comum sofre”. Eu
pensava isso sobre a greve da PM baiana em 2001 e penso o mesmo sobre
a greve de 2012. Mas e Lula? E Jaques Wagner?“‘A Polícia Militar pode
fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores
que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de
fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a
atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a
fazer greve.”Quem fala aí é Luiz Inácio Apedeuta da Silva, então
pré-candidato à Presidência pelo PT. Seria eleito no ano seguinte para
seu primeiro mandato. Naquela greve, sem o morticínio de agora, também
houve arrastões, saques etc. Lula, dotado daquela mesma moral e
responsabilidades maiúsculas de Eduardo Suplicy tinha o diagnóstico
sobre o que estava em curso no Estado. Leiam:
“Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados
arrastões para criar pânico na sociedade. Veja, o que o governo tentou
vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial
na rua, todo o baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na
Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita
(da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio) foi para o segundo
turno (nas eleições para a prefeitura). Você percebeu que na época
terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões? Faz nove
anos e nunca mais se falou isso”.Quanta ligeireza!
Quanta irresponsabilidade!
Quanta vigarice política!Mas isso não é tudo, não. Um dos grandes
apoiadores da greve de 2001 foi o então deputado Jaques Wagner, hoje
governador do Estado. Informava o Globo Online de ontem:
Apontado como líder da greve dos PMs baianos, o presidente da
Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra),
soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando
ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT
e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos
policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato
dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual
presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época,
seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi
preseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar
Borges. “O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do
sindicato, Nelson Souto. Na capital, foi recebido pelo então senador
petista Cristóvam Buarque”, disse.
Prisco disse que, além de Jacques Wagner, teriam apoiado e contribuído
para a greve de 2001 os parlamentares Nelson Pellegrino (PT), Moema
Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alceu Portugal (PCdoB), Daniel
Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC). Segundo ele, a ajuda garantiu a
estrutura necessária ao movimento, incluindo o fornecimento de
alimentação para os grevistas.Voltei
ISSO É O PETISMO, ESSE LIXO MORAL! Os petistas estavam financiando a
greve por intermédio de um sindicato - que nada tinha a ver com a
polícia, diga-se - e de seus parlamentares. Hoje, o governador Wagner
vai à TV demonizar aqueles a quem deu suporte material quando estava
na oposição. O tal líder sindical é o mesmo. Consta que é filiado ao
PSDB, mas que vai rasgar sua ficha. Está descontente porque os tucanos
não estão apoiando seu movimento - no que fazem muito bem!Vejam lá que
graça: até Sérgio Gabrielli, que depois se tornou o todo-poderoso da
Petrobras e que vai fazer parte da equipe de Wagner, apoiava a greve
dos policiais. Ora, se era para lutar contra o governo, que mal havia
em deixar a população à mercê da bandidagem?Crime como método
A esmagadora maioria dos petistas é socialista de araque. Essa gente
gosta mesmo é do capitalismo, especialmente à moda brasileira, com
esse estado gigantesco, que permite ao governo manter na rédea curta
boa parte do empresariado. Isso é, além de tudo, muito lucrativo -
escreverei mais tarde um artigo sobre o “modo Dilma” de privatizar
aeroportos. Não sei como o caçador de “privatarias”, Elio Gaspari,
ainda não se interessou pelo caso… Mas não quero mudar o foco.
Voltemos.Os “socialistas” do PT já renunciaram, e faz tempo!, à
dimensão utópica do socialismo - não que ela seja grande coisa: também
é criminosa. Mas é evidente que houve socialistas, e ainda os há, bem
poucos, que realmente acreditavam estar lutando pelo reino da justiça
e da igualdade e coisa e tal… Daquele socialismo, os petistas de agora
conservam apenas a concepção autoritária de sociedade, gerida pelo
partido. Em nome de sua construção e de seu fortalecimento, tudo é
possível - muito especialmente o crime.Eu diria mesmo que inexiste,
infelizmente para os bem-intencionados, uma esquerda que não seja
criminosa, ainda que alguns de seus militantes não tenham clareza
disso. O melhor texto a relatar essa moral justificadora do mal é a
peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, depois convertido ao… comunismo!Se o
objetivo é conquistar o poder, anotem aí, não existe óbice moral para
o PT “Ah, é assim com todo mundo…” Em primeiro lugar, é falso! Não é,
não! Em segundo lugar, mas não menos importante: há muitos bandidos
que exibem ao menos uma nesga de honestidade ao não tentar nos
convencer de que aquilo que nos destrói é bom para nós.Em 2001, o PT
queria “o quanto pior, melhor” na Bahia porque isso fazia parte de seu
projeto de poder. Em 2012, o PT quer “o quanto pior, melhor” em São
Paulo porque isso faz parte do seu projeto de poder. O governo federal
baixou no estado governado pelo petista Jaques Wagner para tentar
impor um pouco de ordem. Os mesmos valentes tentaram meter os pés
pelos pés em São Paulo para ver se impõem a desordem.


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